Tcc Final Tales e Valquiria

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7/28/2019 Tcc Final Tales e Valquiria http://slidepdf.com/reader/full/tcc-final-tales-e-valquiria 1/51  UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE EDUCAÇÃO DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO, POLÍTICA E SOCIEDADE TALES WELLINGTON CUNHA FELIX VALQUÍRIA LIZANDRA MONJARDIM CÉZAR (DES)INTERESSE ESCOLAR EM GEOGRAFIA: O QUE DIZEM ALUNOS DO 7º E 8º ANOS DA E.E.E.F. MANOEL LOPES, EM SERRA-ES VITÓRIA 2013
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    UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPRITO SANTOCENTRO DE EDUCAO

    DEPARTAMENTO DE EDUCAO, POLTICA E SOCIEDADE

    TALES WELLINGTON CUNHA FELIXVALQURIA LIZANDRA MONJARDIM CZAR

    (DES)INTERESSE ESCOLAR EM GEOGRAFIA:O QUE DIZEM ALUNOS DO 7 E 8 ANOS DA E.E.E.F.

    MANOEL LOPES, EM SERRA-ES

    VITRIA2013

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    TALES WELLINGTON CUNHA FELIXVALQURIA LIZANDRA MONJ ARDIM CZAR

    (DES)INTERESSE ESCOLAR EM GEOGRAFIA:O QUE DIZEM ALUNOS DO 7 E 8 ANOS DA E.E.E.F. MANOEL

    LOPES, EM SERRA-ES

    VITRIA2013

    Trabalho de Concluso de Curso apresentado ao

    Departamento de Educao, da Universidade

    Federal do Esprito Santo, como requisito parcial

    para a obteno do grau de Licenciado em

    Geografia.

    Orientador: Prof. Dra. Marisa Terezinha Rosa

    Valadares.

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    TALES WELLINGTON CUNHA FELIX

    VALQURIA LIZANDRA MONJARDIM CZAR

    DESINTERESSE ESCOLAR EM GEOGRAFIA:

    O QUE DIZEM ALUNOS DO 7 E 8 ANOS DA E.E.E.F. MANOEL LOPES, EM

    SERRA-ES

    Trabalho de Concluso de Curso apresentado ao Departamento de Geografia,

    Centro de Cincias Humanas e Naturais, da Universidade Federal do Esprito Santo,

    como requisito parcial para a obteno do grau de Licenciado em Geografia.

    Aprovada em ______/_______ / 2013

    COMISSO EXAMINADORA

    ________________________________________

    Prof. Dr. Marisa Terezinha Rosa Valladares

    Universidade Federal do Esprito Santo

    ________________________________________Prof. Msc. Carlos Alberto Nascimento

    ________________________________________

    Prof. Msc. Regina Clia Frigrio Ferreira

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    AGRADECIMENTOS

    Agradeoa Deus por tudoepor todos.

    Agradeoa minha famlia eaos meus pais por todoincentivo, emespecial minha meLuzia Cunha, fontede

    inspirao.

    umgrupodeamigos quemeajudou muitoemummomentodecisivo. Alessandra Morgan, FrancineNunes,

    I zabela Bassani, JackscileneNascimentoeRenatoBrito.

    minha querida professora eorientadora Marisa Valladares ea todos os mestres quefizeramefazemparteda

    minha formao.

    Tales WellingtonCunha Felix

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    AGRADECIMENTOS

    Primeiramente,a Deus por seu amor eonipotncia.

    Aomeu esposo, Carlos Magno, pelocarinhoecompreenso. E ainda, por suportar as grandes turbulncias, emque

    por medebati, devidoa algumas dificuldades desta pesquisa. Agradeosua tolerncia pelas noites desono

    perdidas, enquantoeu medebruava sobrelivros, emquenomesolicitou queapagassea luz! AoNick por ser esse

    ser toespecial epeloimensocarinho!

    Aos meus pais (inmemoriam).

    Aos meus pais (quemecriaram) enomenegaramodireitodechegar ataqui, pelocontrrio, meincentivaramanunca desistir!

    Aos meus irmos eamigos quesempresemostraramgrandes conselheiros efiis motivadores emperodos difceis ou

    tranquilos. Especialmente, gostaria decitar minha irm Rafaela eminha amiga irm Geliane: senofosseo

    carinhoeo abraosemprefortecomos quais mefortaleceram, muitas vezes teria desfalecidoemvrias batalhas.

    minha querida professora e orientadora Marisa, quesuportou minhas indagaes, e, todas as vezes, se

    apresentou a mimdeforma serena eamiga, sempremetranquilizandoemotivando.

    minha querida sempre professora Regina Frigrio, que, por muitos momentos, sefez amiga, irm emuitoinfluenciou emminha formaoacadmica, profissional ecomoser humano- quesou hoje.

    Aomeu queridocolega eparceirodestetrabalho, Tales, quesetransformou emumgrandeamigoeirmo. Foram

    poucos os momentos de divergncias de opinies, mas que suscitaram, com toda certeza, em uma grande

    aprendizagem.

    Aos meus colegas docursodegeografia, quenodecorrer desses quasecincoanos, setransformaramemamigos para

    toda a vida, gostaria decitar duas emespecial, (Alana eVania).

    Aos meus colegas detrabalho(equipeGEAC) quesetornaramgrandes amigos, emotivadores.

    Cantarei aoSenhor, porquantometemfeitomuitobem. (Salmos cap.13, Vs.6).

    Valquria Lizandra MonjardimCzar

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    A escola ...O lugar onde se faz amigos

    No se trata s prdios, salas, quadros,Programas, horrios, conceitos...

    Escola sobretudo, gente,Gente que trabalha, que estuda, que se

    alegra, se conhece, se estima.O diretor gente,

    O coordenador gente, o professor gente,O aluno gente,Cada funcionrio gente.

    E a escola ser cada vez melhorNa medida em que cada um se comporte

    como colega, amigo, irmo.Nada de ilha cercada de gente por todos os

    lados.Nada de conviver com as pessoas e depoisdescobrir que no tem amizade a ningum

    Nada de ser como o tijolo que forma aparede,

    Indiferente, frio, s.Importante na escola no s estudar,no s trabalhar

    tambm criar laos de amizade, criar ambiente laos de amizade, criar ambiente de camaradagem,

    conviver, se amarrar nela!Ora, lgico...

    Numa escola assim vai ser fcil!Estudar, trabalhar, crescer,

    Fazer amigos, educar-se,Ser feliz

    Paulo Freire

    Elaine SaesFonte: http://amorpelascores.blogspot.com.br/2011/05/planeta-terra-escola.html

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    RESUMO

    Esta pesquisa investiga o (des)interesse dos alunos do ensino fundamental,

    buscando, como objetivo geral, identificar e compreender fatores que produzemesta situao escolar. Provocou-nos a aparente normalidade com que tratada a

    evaso e o fracasso escolar, por parte de muitos professores que se consideram

    impotentes diante dos problemas. Escolhemos como metodologia o estudo de caso

    e, como universo da pesquisa, um grupo de alunos do ensino fundamental que

    apresentava, como caracterstica marcante, uma incidncia de reprovao e de

    evaso, seguida de retorno escola. A escola-parceira neste trabalho pblica e se

    localiza em bairro residencial de mdio-baixo padro econmico de vida. A base

    terica estudada nos apontou elementos que podem causar o interesse, tais comodiversidade metodolgica, relao afetiva do professor, apoio da famlia, aplicao e

    tratamento de contedos considerando faixa etria, dentre outros. A pesquisa em

    campo, feita por meio de um questionrio, aplicado na turma, nos mostrou coerncia

    com o que dizem autores Bossa e Patto. Foi possvel verificar que alunos querem

    autoridade do professor, admitem que a indisciplina em aula desvia o interesse, que

    no suficiente a famlia obriga-los a ir escola, que reconhecem o apoio dos pais,

    gostam da aula fora da sala e de diferentes recursos e metodologias. A Geografia

    escolar, colocada sob o foco da pesquisa, foi reconhecida como interessante. As

    pistas fornecidas pelos alunos sobre o que um professor de Geografia pode fazer

    para criar e manter o interesse dos alunos pela disciplina so contribuies que

    justificam os esforos despendidos nesta pesquisa, que estimula novas buscas e

    muitas reflexes.

    Palavras-Chaves: 1. (Des)Interesse escolar, 2. Fracasso e evaso escolar, 3.

    Ensino de Geografia.

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    SUMRIO

    1. GENTE QUE TRABALHA, QUE ESTUDA, QUE SE ALEGRA SE

    CONHECE, SE ESTIMA ............................................................................... 10

    1.1 O ENSINO DA GEOGRAFIA NO BRASIL .................................................... 10

    1.2 COMO TEM SIDO A APRENDIZAGEM/MOTIVAO/INTERESSE ............ 17

    2. NO SE TRATA S PRDIOS, SALAS, QUADROS,PROGRAMAS, HORRIOS, CONCEITOS... .......................................................... 21

    2.1 DESESTIMULO ESCOLAR. ELE GERA O FRACASSO? COMO ISSO SED? ............................................................................................................... 21

    2.2 ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL MANOEL LOPES .......................... 26

    2.3 METODOLOGIA ........................................................................................... 29

    2.4 DISCUSSO DOS RESULTADOS ............................................................... 31

    3. O PROFESSOR GENTE, O ALUNO GENTE, CADA FUNCIONRIO

    GENTE. E A ESCOLA SER CADA VEZ MELHOR .................................... 403.1 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ............................................................. 45

    3.2 ANEXOS

    3.2.1 QUESTIONRIO

    3.2.2 CARTA DE AUTORIZAO

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    INTRODUO

    Esta pesquisa surgiu de um questionamento realizado dentro da sala de

    professores, em que todos se perguntavam porque os alunos eram to

    desinteressados e no comprometidos com a escola. Os professores citavam vrios

    possveis fatores, entretanto, nenhum com o devido estudo ou embasamento. Alm

    disto, os professores comentavam, mas no produziam um movimento no sentido de

    mudarem a situao. Isentavam-se de culpa ou de responsabilidades, atribuindo ao

    outro a necessidade de um esforo que provoque real mudana da/na situao.

    Ao constatarmos dentro da sala de aula esse desinteresse, tomamos como objetivo

    tentar analisar e compreender fatores provocadores da situao e suas relaes

    com fatores externos ao aluno, objetivando contribuir com os colegas de profisso e,

    sobretudo, com nossos alunos.

    Com a pesquisa terica, constatamos que o desinteresse escolar no de

    responsabilidade nica da escola ou da famlia ou do professor, sequer do aluno.

    Todos estes agentes possuem responsabilidade sobre a formao escolar.

    Buscamos, no decorrer dos registros de aprendizagens desta pesquisa, apontar

    particularidades de fatores e de aspectos relativos ao interesse, que convergem ou

    que se contrapem.

    Para situarmos e compreendermos criticamente o papel da Geografia na formao

    do individuo, resgatamos de forma sucinta, o ensino da Geografia escolar no Brasil,

    seus paradigmas e sua importncia no contexto da escola. Buscamos enfatizar

    como o interesse/desinteresse/motivao se intercruzam a todo momento, em

    funo de metodologias de ensino, da estrutura psicossocial individual, institucional

    e familiar. Investigamos a questo do desestmulo escolar, se ele de fato gera o

    fracasso escolar, e a que fatores ele est atrelado.

    Para compreender estes processos do desinteresse escolar, necessitamos

    compreender alguns processos psicolgicos e para isso utilizamos autores

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    consagrados neste assunto, como Patto e Bossa. Foi preciso, tambm, interligar os

    processos de ensino/aprendizagem de geografia. Para isto, utilizamos autores como

    Lvia de Oliveira e Kaercher, por exemplo. A partir desses estudos pde-se discutir

    de forma mais clara e concisa os diversos mbitos do desestmulo.

    Utilizamos dois mbitos de pesquisa: a pesquisa bibliogrfica-documental e a

    pesquisa em campo. A abordagem foi qualitativa nos dois casos, embora a

    tabulao dos dados tenha um sentido numrico, necessrio compreenso dos

    dados produzidos.

    Na pesquisa em campo valemo-nos do questionrio para identificar os principais

    pontos que deveramos abordar e na segunda parte da pesquisa, realizamos

    entrevistas.

    Aps analisados os dados obtidos com o questionrio aplicado e com as entrevistas

    feitas, tratamos os resultados obtidos. Articulamos os principais fatores considerados

    interligados com o desinteresse e tecemos algumas possibilidades para o ensino de

    Geografia, com base em autores que discutem sobre o ensino desta disciplina. Os

    apontamentos realizados pelos alunos foram de extrema importncia para a

    construo das possibilidades, j que, esta pesquisa tem por perspectiva principal o

    intuito de dar voz a esses sujeitos na escola.

    importante destacar que o fator determinante para a deciso de pesquisar com os

    alunos de que, quando falamos em fracasso escolar, logo procuramos professores

    e dados de instituies oficiais. Numa outra direo, acreditamos que devemos

    valorizar o que nos dizem aqueles que mais podem contribuir, os alunos.

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    CAPTULO 1

    1. GENTE QUE TRABALHA, QUE ESTUDA, QUE SEALEGRA SE CONHECE, SE ESTIMA

    1.1 O ENSINO DA GEOGRAFIA NO BRASIL

    A Geografia uma cincia que estuda o espao, a natureza, o homem e, tudo aquilo

    que nos rodeia e que, podemos modificar e exercer influncia. De acordo com

    SILVA,

    [...] as categorias fundamentais do conhecimento geogrfico so,entre outras, espao, lugar, rea, regio, territrio, habitat, paisageme populao, que definem o objeto da geografia em seurelacionamento. [...] De todas, a mais geral e que inclui as outras o espao. (1986, p. 28-29).

    Trata-se, do espao em que vivemos, o qual devemos conhecer e no qualprecisamos agir, problematizando em como podemos transform-lo ou no.

    Conhecer o espao geogrfico proporciona saberes para identificar categorias de

    anlise dele. fundamental resgatar conhecimentos prvios para elaborar novos

    conhecimentos sobre aquilo que nos rodeia. Isto fundamental para nossa

    aprendizagem em qualquer disciplina, entre elas a Geografia.

    A Geografia sofreu diversas transformaes no decorrer de sua sistematizao.

    Pode-se perceber que o surgimento da Geografia, como cincia, deu-se devido

    necessidade dos povos, em determinado perodo, analisarem o territrio, e fazerem

    melhor aproveitamento dele. Outro motivo forte na constituio da Geografia foi a

    busca de expanso territorial, sob diferentes aspectos: comercial, religioso, poltico,

    entre outros .

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    A organizao cientfica da Geografia ocorreu inicialmente, sob as bases do

    positivismo. Foi nessa concepo filosfica e metodolgica que os gegrafos

    buscaram suas orientaes gerais. Para o positivismo, os estudos devem restringir-

    se ao visvel, real, mensurvel e palpvel; como se os fenmenos se

    demonstrassem diretamente ao cientista, que seria um simples observador

    (MORAES,1987). Assim, foi possvel utilizar a nova cincia para necessidades

    imperialistas de expanso territorial.

    Na Geografia tradicional, desenvolveu-se o paradigma do possibilismo que iniciou

    discusses sobre relaes do homem com o meio natural, no tratando mais a

    natureza como fator determinante do comportamento humano. (CORRA, 2003).

    No determinismo de Ratzel, concebe-se que o espao influencia ou define o ser,ligado fortemente a fisiologia e psicologia humana. As diferenas do meio imbricam

    na construo de um ente que, sob influencia externa, reproduz o que vivenciou em

    seu modo de vida. Com esta perspectiva, entendia-se ser possvel explicar as

    relaes de causa e efeito que se estabelecem na interao do homem com o meio.

    Se aplicada situao da escola hoje, esta concepo levaria a crer que o aluno s

    poder se desenvolver de acordo com seu ambiente cotidiano, dificilmente

    exercendo atitudes e construes mais complexas do que aquelas do seu modo de

    vida, estando fadado a um futuro determinado. Concordando com Laraia,

    acreditamos que:

    As diferenas existentes entre os homens, no podem serexplicadas em termos das limitaes que lhes so impostas pelo seuaparato biolgico ou pelo seu meio ambiente. A grande qualidade daespcie humana foi a de romper com suas prprias limitaes: umanimal frgil provido de insignificante fora fsica dominou toda anatureza e se transformou no mais terrvel dos predadores. Semasas, dominou os ares; sem guelras ou membranas prprias,conquistou os mares. Tudo isto por que difere dos outros animais por

    ser o nico que possui cultura. (LARAIA, 2005, p. 24).

    Aps o perodo da segunda guerra mundial, a Geografia foi marcada por

    transformaes ocorridas no meio cientifico, em especial, aps os anos de 1950. De

    acordo com Moraes (1983), a renovao surgiu de elucubraes de gegrafos em

    relao aos paradigmas tradicionais. O movimento de renovao foi denominado

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    gerando um espao degradado, e de certa forma mal organizado, especialmente na

    Amrica Latina, frica e sia. (COSTA e ROCHA, 2010)

    Costa e Rocha, concordando com Marx (2010) afirmam que esta geografia estaria

    marcada pelo materialismo histrico e dialtico, que consiste na anlise das grandes

    contradies do sistema capitalista e da produo de espaos desiguais. Passou-se

    a compreender o homem como ser social e as relaes polticas e econmicas so

    introduzidos no debate com o objetivo de compreender as profundas desigualdades

    espaciais existentes.

    Em contrapartida, na geografia humanstica, as noes de espao e lugar surgem

    como conceitos chaves, uma vez, que o lugar tido como aquele em que o individuo

    se encontrada integrado. O lugar no toda e qualquer localidade, mas aquele quetem significncia afetiva para uma pessoa especifica, ou para um grupo de pessoas.

    (CAVALCANTE, 1998).

    Na geografia cultural, no final do sculo XIX e inicio do sculo XX, segundo Costa e

    Rocha (2010), sobressaem-se estudos sobre paisagem, posteriormente retomados

    com o movimento de renovao da geografia na dcada de 1970. Atualmente, a

    renovao dos estudos culturais, estuda a relaes entre a cultura e a vida social, a

    transmisso dos conhecimentos e regras de conduta, as relaes do individuo com asociedade e tambm as articulaes e relaes de cultura e poder. (COSTA E

    ROCHA, 2010).

    A concepo da geografia crtica, surgida no movimento da teoria crtica,

    diferentemente de outras abordagens, traz uma valorizao das questes polticas e

    econmicas..Nesta vertente, analisa-se o embate entre as classes sociais. As

    categorias geogrficas assumem plano de destaque em diferentes estudos dessa

    concepo, estando presentes neles os elementos histricos, culturais e aidentidade; que materializam as contradies da globalizao, conforme

    particularidades e possibilidades (CAVALCANTE, 1998)

    Sendo assim,

    O estudo do espao supe a analise da sociedade e da natureza,no isoladas, mas como parte integrante de uma totalidade a qual se

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    organiza e relaciona configurando-se em diferentes feies(paisagens), de acordo com os diferentes tipos de sociedade emdeterminado territrio. (CASTROGIOVANNI e GOULART, 1990,p.111).

    A Geografia escolar envolve, alm de estudos de aspectos fsicos do espao, oensino da poltica social e ambiental de um pas e do mundo. A disciplina adquire

    grande importncia devido ao poder de investigao, estudo, discusso e

    socializao sobre pensamentos e prticas dos indivduos e das sociedades, assim

    como sobre a organizao e o funcionamento da vida no planeta Terra.

    H que se considerar, ainda, que ao tratar do ensino de uma cincia que trabalha

    com a localizao de fatos, fenmenos e fatos fsicos e sociais, permite conhecer e

    situar como eles acontecem em diferentes locais do mundo. Para isto, preciso

    saber como usar mtodos e formas pertinentes ao seu conhecimento como cincia.

    A geografia se expandiu e vem interagindo cada vez mais com as outras cincias,

    desenvolvendo prticas interdisciplinares, o que uma proposta desejvel na

    escola.

    No mbito escolar, a Geografia passou por grandes modificaes, no sculo

    passado e tambm nos tempos atuais. A partir da dcada de 1960, o Brasil passou

    por uma ditadura militar, que tinha interesse em reduzir o potencial das duas

    disciplinas, Geografia e Histria, em aprendizagens crticas do viver em sociedade.

    A Geografia como disciplina escolar foi substituda pela rea de estudo denominada

    Estudos Sociais, que se tornou uma espcie de Histria e Geografia juntas,que

    seria ministrada para crianas de ensino fundamental com a inteno de fazer da

    geografia uma disciplina inexpressiva e ainda diminuir ainda mais o acesso desses

    estudantes aos conhecimentos especificamente geogrficos. (PONTUSCKA,

    PAGANELI e CACETE, 2000.)

    Ainda neste perodo, o currculo da Geografia escolar passou por alteraes e foramfeitos alguns movimentos no sentido de enfrentamento para ajustes considerados

    importantes, pela Associao de Gegrafos Brasileiros (AGB) e por diversos autores

    da Geografia. Os professores da rede estadual de ensino bsico, de todo o pas,

    apoiaram as crticas referentes ineficincia dos contedos propostos por

    orientaes curriculares para o ensino da disciplina na formao do estudante, s

    orientaes didtico-pedaggicas, que se apresentavam de acordo com os

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    interesses das editoras elegendo o uso do livro didtico como nica fonte de estudo,

    fornecendo conceitos incompatveis com o movimento vivido pela cincia geogrfica,

    e por fim, a desvinculao da geografia ensinada nas universidades daquela

    ensinada nas escolas de ensino fundamental e mdio. (PONTUSCKA; PAGANELI E

    CACETE, 2000.)

    Um dos grandes problemas enfrentado, historicamente, pelos docentes

    ministradores dessa disciplina, desde aquele perodo, referia-se grande carga

    horria que se viam obrigados a cumprir, em diferentes escolas, para alcanar um

    salrio, que no condizia com a necessidade bsica e de sobrevivncia , e ainda de

    continuidade de formao do profissional de educao. Alm disto, havia uma

    grande insatisfao em relao ao grande nmero de alunos em sala de aula, o que

    dificultava a eficcia do ensino. Essas questes ainda podem ser observadas em

    nossos dias no ambiente escolar.

    O ideal de escola produtiva, passa pelo que afirma FONSECA,

    O papel da educao assim como as metas para o setor,estabelecidas pelo Estado Brasileiro a partir de 1964, estiveramestritamente vinculados ao iderio de segurana nacional e dedesenvolvimento econmico. O projeto delineado nos Planos eProgramas de Desenvolvimento, na legislao e nas diretrizes

    governamentais representa o iderio educacional de diversos setoresinternos e externos.(FONSECA apud PLAZZA E PRIORI, A, Acessoem 05 de maro de 2013)

    Com esta perspectiva, possvel pensar que professores mais atentos, pela

    condio de trabalho na escola organizada de acordo com o ideal discutido, faro

    com que o aluno formule uma viso crtica de sociedade e se tornar um cidado

    pensante e questionador daquilo que o circunda. Sua formao se far coerente

    com o conhecimento geogrfico escolar, entendido como, [...] Uma disciplina

    cientifica que trabalha com o espao, quer em termos absolutos, quer relativos e

    relacionais, de um ponto de vista horizontal, ambiental e social (OLIVEIRA, 2012,

    p.218).

    Presume-se que esta proposta exige um pensar crtico e criativo, tal como se

    aprende na dialtica. Oliveira (1999, p.22) afirmou:

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    O mtodo dialtico inquietante e agitador, pondo em xeque comoser o futuro e refletindo sobre qual ser o futuro que queremos.Atravs desse mtodo no se transmite o conceito ao aluno, mas apartir da realidade concreta de sua vida, o conceito vai sendoconstrudo.

    Esse de fato um mtodo da geografia que deveria ser seguido como objetivo

    principal no ensino. Com ele, os educandos assimilaro, sem dvida, com maior

    facilidade, o ensino voltado para aquilo que vivenciam. No se deve rejeitar aquilo

    que o aluno possui, mas sim lev-lo a trabalhar seu histrico, seu espao, de forma

    que organize e reformule as aprendizagens como um ser pensante, autor dinmico

    de sua histria.

    preciso lembrar-se de OLIVEIRA (2012, p. 217) quando afirma que Ensina-se

    aprendendo e aprende-se ensinando [...]. Este processo de aprendizagem no seorigina do nada, todo conhecimento o resultante de uma condio que implica o

    ensino em fases distintas.

    Ao se considerar que a aprendizagem um processo continuo de assimilao,

    preciso, tambm, se enfatizar que os conhecimentos/ contedos devem ser

    trabalhados numa perspectiva de espiral: aprofundando-se, ampliando-se e se

    tornando cada vez mais complexos. As aprendizagens dentro e fora da escola so

    continuas, sendo assim, cabe no s a instituio de ensino mas tambm ao alunobuscar validar suas aprendizagens por intermdio das situaes escolares trazidas e

    trabalhadas pelo professor.

    De acordo com OLIVEIRA (2012, p.217), Ensinar provocar situaes,

    desencadear processos e utilizar mecanismos intelectuais requeridos pela

    aprendizagem, que permitir aos professores empregarem mtodos ativos [...]. Os

    mtodos ativos so aqueles que buscam fazer com que o aluno se interesse cada

    vez mais pelo que est sendo tratado, tornando-se, assim, sujeito praticante dacidadania (FREIRE, 1979). Isto significa juntar o saber que o aluno possui ao que o

    professor leva para a discusso em sala de aula. Esta questo no especifica da

    geografia, est presente em vrias situaes de conhecimento escolar. Todavia,

    de suma importncia compreenso do mundo que o rodeia, como por exemplo nas

    aprendizagens que envolvem diferentes culturas: a do professor, a do aluno, a da

    comunidade escolar...

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    nunca est na escola. Com esse tipo de explicao a gente se eximeda culpa, mas a gente tambm no pode fazer nada [...].(CARVALHO, 2003)

    Para um bom professor, necessrio formao continuada, pois fortalece seu

    compromisso com o saber. Para Oliveira:

    [...] talvez a principal tarefa de um professor de Geografia no seja ade ensinar Geografia, mas realar um compromisso que a ultrapassaou seja, fortalecer os valores democrticos e ticos, a partir denossas categorias centrais (espao, territrio, Estado...) eexpandirmos cada vez mais o respeito ao outro, ao diferente.(OLIVEIRA, 2012, p. 224)

    importante ressaltar que encontramos, atualmente, uma grande gama de

    possibilidades e tessituras de estudos docentes dentro dos espaos escolares, que

    tambm so utilizados como lcus de formao dos professores, atravs da

    interao que estes profissionais realizam entre si. estimulante poder afirmar, hoje,

    que o professor de escola, mesmo estando, muitas vezes, longe da academia,

    tambm produz conhecimentos, tornados prticas que no podem - de maneira

    alguma - serem colocadas em posio aqum da produo realizada pela academia.

    A prtica aperfeioa o processo de ensinagem, como Alves (apud OLIVEIRA 2008,

    p. 46) reconhece: a formao se d, tambm no espao das culturas vividas, entre

    as quais referncias especiais devem ser feitas s prticas polticas coletivas.

    O papel de professores, em especial o professor de geografia, deve ser despertar no

    aluno a capacidade de argumentao, criticidade para que se torne um cidado mais

    cnscio de seus direitos e menos alienados. Queremos aqui produzir

    questionamentos a respeito do que podemos fazer para contribuir para um ensino de

    qualidade.

    De acordo com OLIVEIRA, entendemos que,

    O ensino/aprendizagem da Geografia deveria ser planejado no todo,compreendendo os diferentes nveis de ensino, atendendo sdiferenas, aos interesses s necessidades das diversas clientelas,considerando o desenvolvimento intelectual e visando a formao deuma cidadania responsvel, consciente e atuante. (OLIVEIRA, 2012,p. 218).

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    Seria esse afinal o papel da geografia escolar? Acreditamos que no s do ensino

    da geografia escolar, mas como tambm de toda uma sociedade de relaes que

    vivenciamos em nossos dias.

    Segundo Kaercher (2012), necessrio que haja uma mudana significativa nas

    metodologias de ensino de Geografia, para que acontea modificao das relaes

    entre professores e alunos. Ele afirma que, corriqueiramente, a aula mecanicamente

    trabalhada cria distncia entre aluno e professor, entre estes dois sujeitos e o

    conhecimento, estabelecendo uma relao cheia de percalos, que impede um

    contato entre aluno e professor mais aprofundado.

    O desejo de mudana anunciado a todo tempo por professores e pela sociedade

    no resolve os problemas da educao. Estamos imersos em um contingente deinformaes muita vezes contraditrias, verdades relativas que se tornam absolutas

    e que nos circundam formando pensamentos ou reflexos.

    A grande pergunta do professor a todo instante seria: Como ensinar geografia? e,

    como alunos aprendem geografia? Ser que todos aprendem? Acreditamos que

    todos so capazes de aprender ou exclumos por no se adaptarem ao nosso

    mtodo? essa a funo do professor? Segregar?

    Para Rubem Alves (apud GADOTTI, 1995, p. 50) o educador tem duas funes

    bsicas:

    Funo crtica: os dogmas tm de ser transformados em dvidas, as

    respostas em questionamento, os pontos de chegada em pontos de partida.

    Funo criativa: o educador um criador de utopias concretas, um indicador

    de horizontes utpicos novas formulaes e novas snteses.

    necessrio que, acima de tudo, o professor esteja comprometido e engajado naarte de ensinar. preciso que esteja comprometido com aqueles que mais precisam

    de seu auxlio, mas no apenas para transmitir contedos: preciso que despertem

    o ser cidado nos jovens. A criticidade no to difundida em nossas salas de aula

    porque, muitas vezes, acreditamos que alunos quietos e sem manifestao de suas

    vontades so melhores para ns professores...

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    A reproduo tambm tem sido mais valorizada em nas prxis cotidianas do que a

    criatividade. So mais frequentes, em sala de aula, prticas reprodutoras, que

    valorizam a reproduo.

    Para Castellar (2011, p. 38):O conhecimento visto no como mera cpia do mundo

    exterior, mas como um processo de compreenso da realidade, a partir das

    representaes que as pessoas tem dos objetos e fenmenos (significados), em

    consonncia com seus prprios conhecimentos e experincias (aes). Portanto, a

    aprendizagem, nessa perspectiva, consiste em conjugar, confrontar ou negociar o

    conhecimento entre o que vem do exterior e o que h no interior delas.

    A aprendizagem ento, seria algo que voc possui, um conhecimento pr-existente

    para enriquecer um novo, reformular um conhecimento sobre determinada coisa. Elaadvm de uma pr-concepo que acarretar uma assimilao e assim se

    concretizar em aprendizagens.

    Bossa ressalta como curioso observar o modo como os educadores, sentido-se

    oprimidos pelo sistema, acabam por reproduzir essa opresso na relao com os

    alunos. Para ela, Trata-se, portanto de refletir sobre uma escola ideal, quando, na

    verdade a grande preocupao deveria ser o ideal da escola. (BOSSA, 2002, p.19)

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    CAPTULO 2

    2. O QUE O DESESTMULO ESCOLAR? ELE GERA O

    FRACASSO? COMO ISSO SE D?

    Por muito tempo, o fracasso escolar foi estudado com lgicas e enfoques diferentes,

    no campo da medicina. Vial (apud BOSSA, 2002) aponta que as dificuldades deaprendizagens, quando no eram entendidas como uma leso cerebral, eram

    tomadas por disfunes neurolgicas ou retardos de maturao, imputados a um

    equipamento gentico defeituoso. Os mdicos foram os primeiros a se preocuparem

    com os problemas de aprendizagem. Aps desenvolvimento dos trabalhos de Binet,

    em 1904, na Frana, quando foram criados testes de inteligncia, o fracasso escolar

    foi atribudo ao dficit intelectual, baixo Quociente Intelectual (QI).(BOSSA, 2002)

    Isto, parece-nos, caracterizar um mtodo determinista de enxergar que o ser

    limitado sua forma fisiolgica. Assim, o que no aprende porque no consegue,devido suas limitaes orgnicas.

    Para BOSSA (2002), a escola exerceu um papel alm da responsabilidade de

    transmitir conhecimento: exerceu o papel de geradora de sofrimento psquico e,

    infelizmente, ainda podemos constatar em algumas escolas, esta prtica de

    professores no trato com os alunos, ao lhes impingir a culpa por no aprenderem,

    como se fora uma determinao defeituosa do seu organismo.

    importante ressaltar que, nesta pesquisa, se evidencia o termo fracasso escolar.

    Todavia, seu significado no tomado como sinnimo de desestmulo escolar e sim

    um aspecto associado ao desestmulo, ou seja, o desestmulo tomado como um

    dos responsveis pelos fracassos que assumem diferentes contextos.

    O fracasso est associado tanto repetncia, quanto evaso escolar. Tomaremos

    por base o fracasso dentro de sala de aula como fenmeno processual e no como

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    um nico fenmeno pontual, como um fim. Compreendemos que o fracasso no se

    resume apenas aos pssimos resultados dos alunos nas avaliaes e evases.

    Tomamos tambm como fracasso, o processo de ensino e de avaliao deste aluno

    pela escola e seus diferentes atores. Evidenciamos que no apenas o professor

    que avalia os alunos e, sim, toda a estrutura social, bem como coordenadores,

    pedagogos, colegas de classe [...] (BOSSA, 2002).

    Como seres humanos, possumos um carter de avaliadores: gostamos de avaliar e

    avaliamos a todo o momento. Existe uma questo importante, sabemos avaliar?

    Este no seria o maior dos problemas, caso esta avaliao no repercutisse na vida

    de outrem e trouxesse um intenso significado para os avaliados. A avaliao, em

    especial, a escolar, pode assumir diferentes tessituras na forma de uma pessoa se

    enxergar e de socializar com outros. Pensando na forma mais simples de

    repercusso, a avaliao sobre uma pessoa pode influir na sua tomada de decises

    em como agir com o outro, podendo at mesmo obstruir todo potencial para a

    relao com o outro. Isto inclui o poder de uma avaliao do professor. Muitas

    vezes, atitudes de separar bons alunos de maus alunos, inteligentes dos no-

    inteligentes pode resultar em srios prejuzos para quaisquer dos tipos assim

    caracterizados.

    Na modernidade, a partir da concepo de criana e de escola, como perodo e

    lugar preparao para vida adulta, instituem-se parmetros de normalidade e de

    anormalidade, que passam a ser mensuradas, treinadas e classificadas, sem o

    devido cuidado.

    As crianas que no conseguiam adaptar-se s regras estabelecidas e atender a

    um ideal de obedincia, de disciplina, de eficincia e de racionalidade passaram a

    serem vistas como fora da norma, isto , de anormais. (BOSSA, 2002, p.45).

    No perodo moderno a fragmentao familiar foi caracterizada como uma das

    principais causas do fracasso escolar, j que a famlia era a principal estrutura

    organizacional, ou seja, subentende-se que estrutura familiar falida, gera fracasso

    escolar evidente. Acreditamos que h de se analisar este fenmeno com cuidado,

    para no se incorrer numa postura de causa/efeito determinista, extremamente

    perigosa, em especial sobre a identidade do aluno, de seu amor prprio, de sua

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    viso de si mesmo, prejudicial manuteno de estmulos importantes ao seu

    desempenho escolar e de seu interesse pela aprendizagem.

    Um dos grandes problemas, que no h muita reflexo e simpouco conhecimento

    docente sobre como se sentem crianas/adolescentes que no conseguem

    acompanhar a turma, considerados inaptos para a escola, alegando-se que

    possuem deficincia ou insuficincia neurolgica. O perigo que professores podem

    reafirmar, cada vez mais, que a escola no para todos, que a escola para

    aqueles que se adaptam e conseguem acompanhar o ritmo.

    De acordo com Oliveira,

    [...] Cada estudante constri (independentemente dos diferentesnveis), cada contedo que construdo (neste caso o geogrfico),prioritariamente, em sua prpria dimenso dos significados e nveisde abstrao, sua prpria viso de mundo e de homem, seu prprioconhecimento social e ambiental e, por fim, atinge sua cidadania.(OLIVEIRA, 2012, p.219)

    O mundo moderno, ao idealizar a criana ideal, acabou por a negar as diferenas e

    a subjetividade de toda. As crianas acabaram por tornarem-se objeto da ao dos

    homens que vm nelas possibilidades, acabam por refletir nelas aquilo que

    desejavampara si, entretanto, seus desejos esto associados a um pensamento

    moderno capitalista que no valoriza qualquer coisa que no seja lucrativo, o ser

    criana deixou de ser algo bom para tornar uma responsabilidade, um momento de

    preparao para uma vida futura repleta de alienaes que visam apenas o

    materialismo. (BOSSA, 2002).

    (...) quando se postula um ideal, acaba-se por impedir a emergnciado singular, daquilo que, como diferena, distancia- se do ideal. Se osujeito est para alm dos ideais, se sua objetividade est naquiloque escapa para o existir da criana no mundo atual, no resta outrasoluo seno a de fazer sujeito por meio de seu sintoma. (BOSSA,

    2002, p.54-55).

    Muitas vezes, o desestmulo posterior ao anunciado,fracasso escolar.

    Transformado em sintoma, sinaliza que algo no est indo bem. Todavia, este

    sintoma passa despercebido por professores e pelos pais. Associar este sintoma o

    desinteresse - a problemas de ordem cotidiana do aluno pode mascarar outros

    problemas, como a forma de tratamento do processo de ensino, tornado mecnico,

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    reprodutivo, alienado da capacidade de envolvimento do aluno, desvinculado do seu

    cotidiano e de suas demandas.

    Lembrando Freire (1979, p.32), podemos perceber que A educao deve ser

    desinibidora e no restritiva. necessrio darmos oportunidade para que os

    educandos sejam eles mesmos mostrando para a sociedade, e at mesmo dentro

    do ambiente escolar, seu potencial. Como professores podem contribuir para que

    isso ocorra?

    Levando-se em considerao em no incorrer no perigo de culpabilizar o professor

    de maneira perversa, preciso destacar que professores necessitam de um

    envolvimento maior ou um tempo maior de convivncia com seus alunos para que

    notem este sintoma do desestmulo escolar.

    BOSSA alerta sobre a necessidade de ateno sobre o desinteresse, como sintoma

    e como consequncia:

    Em nossa vida profissional, vimos crianas que, durante anos,manifestavam determinados sintomas, como enurese, obesidade,anorexia, enxaqueca, alergia, hiperatividade e vrios outros.Contudo, somente quando comearam a fracassar na escola quese fizeram ouvir. (BOSSA, 2002, p. 59)

    importante ressaltar que, talvez, se houvesse um maior comprometimento da

    famlia com o trabalho docente e vice-versa, esses sintomas seriam mais

    perceptveis. Porm, muitas vezes as famlias se encontram em grandes lutas para

    sobreviverem e no conseguem sequer observar se seus filhos esto bem. O

    trabalho de educao ou preparao para a vida adulta como a proposio da

    escola, requer um trabalho conjunto entre escola e famlia. Este trabalho, algumas

    vezes, tm sido ampliado em algumas instituies escolares, alcanando os

    resultados positivos quando realizado em conjunto.Com estas reflexes, ousamos

    elaborar conceitos e realizar a distino entre alguns aspectos que j abordamos

    aqui. Falamos de sintomas, de desestmulo, desinteresse e fracasso que estamos

    considerando aqui como processos e resultantes destes processos. Para sintetizar,

    os sintomas so processos que ocorrem no comportamento do aluno, quando esto

    em situao pouco confortvel. Podem ser reconhecidos como sinais de que algo

    est errado. Podem resultar em srios prejuzos, cognitivo, quanto social.

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    Os desestmulos podem ser entendidos como obstculos que impedem o interesse,

    podendo causar o desinteresse escolar que uma situao momentnea resultante

    de vrios desestmulos. No estamos considerando o desestmulo como algo imvel

    e imutvel, mas tambm um processo que pode ser revertido se detectado. O

    problema que, se essa situao permanecer durante muito tempo, poder

    comprometer o futuro do aluno, visto que, a permanncia durante grande perodo

    nessa situao causar efeitos psicolgicos difceis de serem revertidos ou quase

    impossveis, como sugere BOSSA, A funo que a escola tem em nossa cultura faz

    dessa instituio o lugar privilegiado na formao de um sintoma; ela no s gera o

    sintoma, como tambm o denuncia. (BOSSA, 2002, p. 59-60)

    Temos ento, o fracasso escolar como resultado de todo esse processo que

    acontece com o educando e, que, na maioria das vezes, no percebido antes que

    seja declarado como tal: fracasso escolar. Este fracasso pode-se manifestar de

    diferentes maneiras, uma vez que a personalidade interfere nos resultados, com

    uma singularidade que pode intensificar, amenizar ou atenuar resultados.

    Consideramos como o pice do fracasso a evaso, que a forma mais evidente do

    fracasso escolar, visto que, o aluno abandona a instituio escolar por no se

    enquadrar nos processos manifestos dentro deste ambiente.

    [...] quando se trata de pensar a questo do fracasso escolar, nopodemos ignorar o paradigma emergente e reproduzir um discursoque se fundamenta na anlise do social e nega a dimensoindividual, ou seja, as condies de possibilidade de uma forma desubjetividade suscetvel de fazer sintoma na aprendizagem escolar.(BOSSA 2002, p. 66)

    Sendo assim, deve-se considerar que o fracasso escolar envolve vrios fatores que

    partem das particularidades do individuo alm de refletir as condies dos agentes

    externos, bem como, a estrutura familiar, estrutura institucional e o ensino escolar

    em sala de aula.

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    2.1 ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO FUNDAMENTALMANOEL LOPES (UNIVERSO DE PESQUISA)

    A Escola Estadual de Ensino Fundamental Manoel Lopes,selecionada para este

    estudo, encontra-se localizada em um bairro perifrico do municpio de Serra

    Regio Metropolitana da Grande Vitria. Esta escola atende a alunos do ensino

    fundamental de sries iniciais e finais, nos turnos matutino e vespertino. No turno

    matutino atende cerca de 300 alunos de 1 ano a 4 srie, no turno vespertino cerca

    de 280 alunos do 4 ano a 8 srie do ensino pblico regular, sendo formada em sua

    maioria por alunas. A escola ainda encontra-se em processo de transio do ensino

    fundamental de 8 anos (srie) para o ensino fundamental de 9 anos de acordo com

    a nova legislao - Lei n. 11.274/2006 que institui o ensino fundamental de nove

    anos de durao com a incluso das crianas de seis anos de idade.

    Localiza-se no bairro Taquara II e est inserida em uma comunidade de baixo poder

    aquisitivo. A maior parte dos alunos mora prximo escola e nas mediaes.

    Existem tambm alunos que so do bairro vizinho, Taquara I, e que estudam na

    escola Manoel Lopes.

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    O bairro est a menos de um quilmetro de distncia da BR 101 norte.Ao lado da

    escola h uma creche e uma praa, a nica do bairro onde crianas e jovens se

    encontram para jogar bola, bater papo, se distrair e passar o tempo. Localiza-se

    ainda, prxima ao posto de sade do bairro, e uma mercearia que o principal

    estabelecimento comercial do bairro, local em que, a comunidade e professores

    utilizam para suas compras. Em frente escola, tambm, encontra-se uma loja de

    doces na qual os alunos utilizam como cantina no horrio do intervalo, atravs das

    grades da escola, j que, segundo nova regra de comercializao dentro de

    instituies de ensino, impedem a comercializao de produtos no benficos a

    sade dos alunos.

    MAPA I Localizao da Escola Manoel LopesFONTE: SESP Secretaria de Segurana Pblica e Defesa Social Elaborao: Valquria e Tales (2013).

    A escola possui um grande entrosamento com os pais dos alunos e procura sempre

    participar da vida social dos educandos. Essa possui alguns programas com o intuito

    de evitar que as crianas e adolescentes permaneam muito tempo na rua, a fim de

    propiciar uma melhor convivncia da comunidade com a escola, e at mesmo umaocupao para os estudantes, como por exemplo, o Programa Mais Tempo na

    Escola e Escola Aberta.

    Segundo o documento diretriz do Programa Mais Tempo na Escola da Secretaria de

    Estado da Educao do Esprito Santo SEDU/ES - tem por objetivo ...ampliar o

    tempo de permanncia do aluno na escola, criando novas oportunidades de

    aprendizagem, contribuindo para a melhoria do desempenho escolar e ampliao do

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    universo de experincias socioculturais, esportivas e de iniciao cientfica

    (ESPRITO SANTO/ SEDU, 2009).

    O Programa Escola Aberta uma cooperao entre Ministrio da Educao,

    Organizao das Naes Unidas para a Educao, Cincia e Cultura UNESCO ea SEDU e ...visa estreitar os laos entre escola e comunidade, ampliar as

    oportunidades de acesso a espao de promoo da cidadania, possibilitar a criao

    de espaos alternativos de lazer, educao, esporte , cultura e formao inicial para

    o trabalho e contribuir para a melhoria da qualidade de educao, a incluso social e

    a construo de uma cultura de paz. (ESPRITO SANTO/ SEDU, 2012).

    A E.E.E.F Manoel Lopes a nica escola do bairro, possui uma estrutura de

    pequeno porte, com a finalidade de atender a demanda desse bairro. Os jovens que

    cursam o Ensino Mdio tm que se deslocar para bairros vizinhos. A escola possui

    um espao fsico deteriorado e aqum das necessidades dos alunos e funcionrios.

    A estrutura deficitria do espao fsico da escola motivo de reclamaes dealunos. Contudo, no pode ser notada no arranjo quantitativo de salas, como

    descrito a seguir, que pode ser interpretado como um conjunto arquitetnico

    vantajoso para instalao de uma escola:

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    Tabela I - ESPAO F SICODESCRIO QNT

    Sala de aula 11Sala de professores 1Sala de pedagogo 1Sala do Diretor 1Sala da coordenadora 1Secretaria 1Biblioteca 1Sala de vdeo 0

    Sala de Recursos 1Sala de informtica 1Refeitrio 1Quadra pol iesportiva 1Banheiro de funcionrios 3Banheiros dos alunos 2Banheiro para Deficientes 1Almoxar ifado 3Cozinha 1

    2.2 METODOLOGIA

    Para este estudo, na Instituio de ensino Manoel Lopes, fez-se necessrio a

    utilizao de autorizaes para a pesquisa, bem como, para a permanncia dos

    pesquisadores na escola, realizando a pesquisa individual com os alunos, assim

    como efetuando as gravaes das entrevistas. Essas autorizaes esto

    devidamente anexadas, no final deste trabalho.

    Com as autorizaes em mos retornamos escola para levantar dados voltados ao

    desenvolvimento deste estudo.

    Utilizamos de dois mtodos de pesquisa: a pesquisa bibliogrfica-documental e a

    pesquisa em campo. A abordagem foi qualitativa nos dois casos, embora a

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    tabulao dos dados tenha um sentido numrico, necessrio compreenso dos

    dados produzidos.

    Na pesquisa em campo valemo-nos do questionrio para identificar os principais

    pontos que deveramos abordar e na segunda parte da pesquisa, realizamosentrevistas, para aprofundamento das compreenses, em especial, devido a

    pressupostos que trazamos conosco.

    O questionrio foi aplicado em uma turma de 8. ano, para vinte e quatro alunos, e

    continha questes objetivas, enquanto a entrevista foi realizada com trs alunos de

    7 e 8 anos, orientada por perguntas abertas, no estilo entrevista no-estruturada

    (DEMO, 1995).

    Utilizamos para definir as questes, alguns pressupostos para direcionar o

    questionrio e no negligenciar assuntos importantes para a compreenso do

    desinteresse escolar. Consideramos aspectos que, segundo alguns autores

    (OLIVEIRA, 2012; PONTUSCKA, 2012, BOSSA, 2002, PATTO, 1999, AQUINO

    1997, ROBINSON 1978), seriam importantes para compreender o

    interesse/desinteresse escolar dos discentes. Dentre fatores que propiciam o

    desinteresse escolar, destacam-se

    a famlia, se so motivados ou se a famlia no os auxilia;

    a escola, se a escola propicia uma boa aprendizagem no meio educacional,

    no apenas com relao aos professores;

    a relao biopsicossocial;

    a atitude dos prprios alunos, com relao sua postura escolar.

    A partir de embasamento terico sobre o tema e graas s constataes em estgio

    supervisionado, escolhemos dentre vrias questes antes elaboradas, duas ou trsque abordassem cada fator, para que pudssemos preencher lacunas do nosso no-

    saber-ainda (ESTEBAN, 2002) sobre o tema. Assim, constitumos a entrevista no-

    estruturada, a fim de esclarecer as dvidas a partir do questionrio e corroborar ou

    no as afirmaes constatadas nele.

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    Na escola em que foi realizada a pesquisa, pde-se perceber que muitos alunos se

    mostraram seguros com relao s respostas fornecidas e demonstraram que

    apesar de possuir dificuldades assumidas na disciplina de Geografia, se interessam

    em aprender. Porm, apontam outros fatores que, segundo eles, interferem em suas

    aprendizagens, fatores esses que abordaremos mais a frente.

    Trs alunos foram selecionados pelo professor ministrante da disciplina, que

    considerou o desempenho deles na disciplina, no dia a dia de sala de aula. Eles

    aceitaram colaborar conosco, apontando o que percebem e o que vivem em sala de

    aula. Com esses educandos, foi realizada uma entrevista sobre o ensino de

    Geografia e o desinteresse escolar. A partir da, analisamos o que disseram e o que

    apontaram nos dois instrumentos de pesquisa. Eles expuseram suas opinies e at

    mesmo fizeram propostas relativas ao ensino da Geografia em sala de aula.

    2.3 DISCUSSES DOS RESULTADOS

    Considera-se que o fator gnero no interferiu no resultado da pesquisa, uma vezque na turma em que foi aplicado o questionrio, h equilbrio no gnero dos

    estudantes: feminino 54% e masculino 46%. Um estudante no respondeu.

    A idade predominante de 13 anos, entretanto, a faixa encontrada foi de 12 a 17

    anos, o que refora a ideia de fracasso escolar, visto que, a repetncia algo

    recorrente dentro da escola, pois seis alunos esto acima da faixa etria regular.

    Alm disto, segundo conversas com a pedagoga, no ano anterior houve um grande

    registro de repetncia, principalmente nas turmas de 5 e 6 sries.

    A questo de distancia ou dificuldade para acessar a escola, como um fator do

    desestmulo desconsiderada, pois 71% dos alunos diz morar no bairro que localiza

    a escola, outros 21% diz morar no bairro vizinho (porm, mesmo sendo outro bairro

    seu acesso no considerado difcil ou mesmo longe) e 8% dos alunos no

    responderam.

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    Na elaborao do questionrio, a partir da base terica estudada, considerou-se

    necessrio entender qual era a viso do aluno sobre escola. A partir da, decidiu-se

    criar duas questes que pudessem ser contrapostas para identificar como o aluno

    via a escola:

    de que forma voc considera a escola? um lugar onde voc vai...

    O que mais interessa a voc na escola?

    Os resultados foram, de certo modo, surpreendente, pois no se esperava que 75%

    dos alunos assumissem a escola como um local onde se vai para aprender , pois

    mesmo que seja comum afirmar que as crianas e jovens no veem escola como

    deveriam, elas reconhecem a intencionalidade da escola.

    Na outra questo vinte dois educandos disseram que mais lhes interessa so as

    aprendizagens, enquanto quatorze alunos entre os vinte e quatro entrevistados

    afirmaram que a as amizades so, tambm, um dos grandes interesses do

    ambiente escolar. Embora estes jovens afirmem a importncia da aprendizagem,

    reconhecem tambm que a escola um lugar de variados interesses e de

    possibilidades, dentre as quais a socializao, merenda (nenhuma indicao), outro

    interesse (nenhuma indicao).

    importante destacar que um dos alunos reconhece que vai escola por obrigao.

    Esta resposta repousa no que normalmente acreditamos, que eles vo apenas por

    obrigao. Todavia, fazendo a anlise scio-espacial da comunidade escolar, nos

    questionamos sobre a situao da escola em uma localidade economicamente

    limitada, o que torna a escola, para muitas crianas que ali estudam, um dos poucos

    lugares de interao e diverso. na escola que interagem, fazem trocas de

    saberes e vivencias culturais de todo tipo e toda forma. Estas crianas valorizam a

    escola como seu espao, seu lugar de vivncias e experincias, valorizam os

    momentos que vivem dentro da escola mesmo que no demostrem contentamento.

    A princpio, nossa principal associao ao desinteresse escolar era que o trabalho

    estivesse diretamente associado aos desestmulos e a evaso escolar, porm,

    constamos que apenas trs alunos dentre os entrevistados trabalham fora de casa e

    a maioria diz que possuem algumas responsabilidades em casa, porm afirmam que

    o trabalho no interfere nos estudos e ainda enfatizam que necessrio e

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    Tem a ver indisciplina e aulachata?

    Ah, (risos e afirmao)...Muito ou pouco?

    Acho que uns 90%.Aluna S.

    [...] professor tem que ter autoridade, no precisa

    ficar ameaando, se voc fazer voc ganha se no

    fizer..., isso coisa de criana pra mim [...].

    Aluna S.

    Tipo, geografia e histria diferente as

    matria, fala sobre o mundo fala dos negcios

    do tempo [...].

    Eu gosto de geografia porque fala dos planetas... das coisas daTerra [...] geografia tambm acho legal porque fala dos pases tudo

    que a gente deve saber, acho legal geografia por isso, porque fala

    bastante do que a gente vive e o que tipo a gente..., mostra muito

    naquele globinho al (apontando para o globo terrestre) que

    vocs (professores) levam para sala e tal, mostram os pases,

    porque a gente num... a gente mora no Brasil no sabe direito o

    que acontece n [...].

    importante estudar. Segundo um aluno [...] ir pro colgio pra mim aprender, pra ser

    melhor pra mim l na frente. [...] porque vou ter um servio melhor, vai ser melhor

    pra minha famlia.

    importante observar que metade dos alunos considera-se, s vezes interessados,s vezes desinteressados, ou seja, esses alunos podem estar interessados em

    determinadas aulas e desinteressados noutras.

    A questo que aborda a indisciplina recebe deles, como resposta, uma viso

    surpreendentemente conservadora: 30% considera que ela

    atrapalha a aula e 28%dos alunos afirma que o controle da

    disciplina depende do professor, o que torna a

    (in)disciplina diretamente ligada ao (des)interesse. Ementrevistas, os alunos afirmaram, categoricamente, que o

    professor necessita ter autoridade,por eles denominadas

    como moral em sala de aula, caso

    contrrio, a aula torna-se chata e

    favorece a indisciplina. A nfase que

    do a esta compreenso pode ser

    percebida em outra questo, quando

    afirmam que a aula chata quandoo professor no tem autoridade

    (14%). Em contrapartida, a

    seriedade do professor

    (33%), tambm torna a aula

    montona, pois, segundo

    eles, embora a seriedade do professor seja necessria para o desenvolvimento de

    uma boa aula,

    quando o

    professor

    muito

    srio, no ri, eles

    no tm abertura

    para dialogar e

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    tirar dvidas. Tem medo? .

    Quando se pergunta sobre as aulas de geografia, a grande maioria afirma ser uma

    aula interessante, pois aborda diversos temas. Entre eles, a idia mais recorrente

    o que se refere- a uma disciplina da natureza e isso os leva a ter um maior interesse.Isto tambm pode ser reflexo da linha de estudos de seus professores quando

    enfatizam mais este tipo de contedo em sala de aula.

    As au las de geografia servem para:

    nada; 0

    entender como funciona a Terra; 14

    passar de ano; 3

    conhecer os planetas; 8

    entender o que se passa no mundo; 6

    saber como a vida em diferentes lugares do planeta Terra; 9

    saber respeitar o meio ambiente; 6

    conhecer as caractersticas dos lugares do Brasil e do Mundo; 12

    localizar lugares, pases, rios, montanhas etc.; 11

    fazer e entender mapas; 8

    Outra coisa 0

    No respondeu 1

    Grande parte dos alunos tambm afirmou que acha as aulas de geografia

    interessantes (53%), descontradas e animadas (33%). Diante disso, podemos

    associar a necessidade que essas crianas demonstram de conhecer mais sobre o

    mundo que vivem.

    Em meio a tantas informaes, entretanto, no sabem o que realmente significam

    algumas informaes. Nesta zona de fronteira, entre o socialmente aceito e oque

    est a se instituir, se constri uma possibilidade de trabalho do professor: promover

    o estmulo a novas aprendizagens atravs do aguamento da curiosidade.

    Podemos arriscar em dizer que os professores de Geografia que passaram por esta

    escola nos ltimos anos, podem ter tido uma preocupao com as aulas tradicionais,

    j que, apresentam grande interesse pela disciplina.

    Quando se trata dos assuntos da Geografia, os alunos se saram muito bem, pois,

    como podemos ver na tabela abaixo, a variedade de respostas foi grande. Dentre

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    elas destacaram-se entender como funciona a Terra e conhecer as caractersticas

    dos lugares do Brasil e do Mundo. Ainda nota-se que a cartografia tradicional tem

    sido difundida pelos professores, j que, 11 responderam que serve para localizar e

    8 responderam que serve para fazer e entender mapas.

    Tabela 2 - As aulas de geografia servem para:

    nada; 0

    entender como funciona a Terra; 14

    passar de ano; 3

    conhecer os planetas; 8

    entender o que se passa no mundo; 6

    saber como a vida em diferentes lugares do planeta Terra; 9

    saber respeitar o meio ambiente; 6

    conhecer as caractersticas dos lugares do Brasil e do Mundo; 12

    localizar lugares, pases, rios, montanhas etc.; 11

    fazer e entender mapas; 8

    Outra coisa 0

    No respondeu 1

    Compreendemos ainda, a partir dessas questes que os alunos ainda encontram na

    geografia uma forma de buscar ver o mundo de uma forma mais ampla e que cabe oprofessor leva-los a este universo.

    Como foi abordado, no primeiro capitulo, a geografia tradicional , mais descritiva,

    pode no ser a tnica que eles assimilam com maior facilidade. A Geografia que

    estimula a conhecer o espao geogrfico para poder analisa-lo, exige- ser

    trabalhada a partir das vivencias cotidianas, como o simples modo de observar as

    estaes do ano e demarcar territrios com agrupamentos de turmas vestidas

    alegremente com cores abusadas, circulando com bicicletas, skates, bons e

    grias...

    Conforme j foi analisado nos captulos anteriores, o educando ter mais facilidade

    em aprender a partir daquilo que ele vivencia, uma vez que ele trar para discusso

    seus pontos de vista, favorecendo a construo de seu conhecimento e postura

    crtica.

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    Segundo Kaercher (apud Souza, 2009, p. 06):

    Mostrar que sabemos geografia no sabermos dados ouinformaes compartimentadas, mas sim, relacionarmos asinformaes ao mundo cotidiano de nossos alunos (...) Se ajudarmos

    nossos alunos a perceberem que a geografia trabalha com asmaterializaes das prticas sociais, estaremos colocando-a no seucotidiano.

    Alguns alunos, quando questionados sobre como aprendem mais, reforaram em

    sua maioria que aprendem mais quando o professor explica a matria e utiliza

    recursos interativos. E acrescentam ainda, que quando o professor muito srio, ou

    chato inibe os educandos de possveis questionamentos sobre o contedo a ser

    trabalhado. Afirmam que aprendem mais quando o professor animado, pois assim

    entendem que sero atendidos quando solicitado. E acrescentam ainda que achamnecessrio o professor saber dosar brincadeiras com as aulas, pois captam melhor a

    ateno dos discentes. Segundo eles, a aula mais interessante quando o professor

    divertido nas explicaes e legal.

    interessante analisar que a palavra legal soa to bem para um aluno em sua

    relao com seu professor, quanto o seu julgamento do professor... mas por que ele

    fica mais interessado na aula quando o professor legal? A palavra traz consigo um

    tem pacincia;

    1904ral; 16%

    Srie1; legal;;

    1900ral; 27%

    bonito (a);;

    1904ral; 0%

    divertido(a) nas

    explicaes;;

    1904ral; 34%

    explica; 1904ral;

    14%

    bravo(a);;

    1904ral; 0%

    alegre.; 1904ral;

    9%

    outro motivo;

    1904ral; 0%

    Voc fica mais interessado na aula

    quando o professor:

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    sentimento, uma identificao pessoa com a pessoa, logo o professor no

    interessante apenas por saber o contedo ou saber explicar. O legal envolve

    muitas outras dinmicas do cotidiano tais como saber ensinar e aprender, falar e

    ouvir, lidar com a subjetividade de cada sersob sua responsabilidade.

    Segundo J odelet (apud Santos, 2011, p. 313):

    As representaes sociais devem ser estudadas articulandoelementos afetivos, mentais e sociais e integrando, ao lado dacognio, da linguagem e da comunicao, as relaes sociais queafetam as representaes e a realidade material, social e ideal sobreas quais elas interviro.

    No geral, os alunos demonstraram uma boa tolerncia e at mesmo interesse na

    disciplina geogrfica, afirmando que a disciplina muito importante para o homem

    no mundo. E ainda por que importante e interessante conhecer o planeta, as

    culturas, as diversas populaes [...].

    As aulas de geografi a servem para:

    nada; 0

    entender como funciona a Terra; 14

    passar de ano; 3

    conhecer os planetas; 8

    entender o que se passa no mundo; 6saber como a vida em diferentes lugares do planeta Terra; 9

    saber respeitar o meio ambiente; 6

    conhecer as caractersticas dos lugares do Brasil e do Mundo; 12

    localizar lugares, pases, rios, montanhas etc.; 11

    fazer e entender mapas; 8

    Outra coisa 0

    No respondeu 1

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    O que sua me acha de voc estudar?Acha melhor.Mora com seu pai?NoCom seu irmo?Com meu irmo moro.O que sua me acha de voc estudar?Fala que melhor pra mim estudar que

    melhor.Por que melhor.Pra no ficar atrapalhando os outros em

    casa.

    O que voc acha de estudar? Precisa?Precisa.Por qu? melhor, que arrumar casa e fazer osnegcios dentro de casa.Mas, porque melhor estudar?Melhor ue ficar em casa sem fazer nada

    Observa-se atravs das entrevistas que, mesmo os familiares no tendo uma boa

    formao educacional, eles incentivam seus filhos e se esforam em lhes dar uma

    boa instruo escolar. Os prprios alunos reconhecem isso e quando questionadosse seus pais os acompanham na escola, todos responderam que sim e que os pais

    sempre os estimulam a estudar. A

    exemplo, uma aluna, que no ano

    anterior havia desistido de estudar,

    afirmou que seu pai a matriculou e

    props-se a pagar um curso extra, para

    que ela retornasse escola para

    completar os estudos. Os alunos

    reconhecem que importante e necessrio

    estudar, porm ainda que os pais os

    estimulem, alguns afirmaram que vo

    escola apenas porque no querem ficar em

    casa. H, contudo, felizmente, alguns

    afirmam estudar porque pretendem

    conseguir algo melhor na vida. Um aluno1

    (do grupo entrevistado) acredita ser necessrio estudar para aprender e ser mais

    importante.

    Esse desejo do aluno nos sensibilizou. Todavia, o aguamento desta sensibilidade

    se fez mais forte quando, na mesma entrevista, ele alega que a escola serve pra ele

    no ficar em casa atrapalhando quem l est. Em sua conversa, indagado como e

    porque atrapalha em casa, ele nos deixa entrever como a famlia introjeta nele essa

    sensao.

    Isso pode nos fazer pensar em que escola as famlias tem imaginado? Um local para

    assegurar aos filhos segurana, enquanto esto trabalhando ou, pior, a escola

    representa um momento de descanso para quem fica em casa?

    1Os alunos do grupo de entrevistados no sero identificados, sequer por gnero, garantindo-se assim seu

    anonimato.

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    A reflexo seguinte : como suprir o desinteresse que a famlia expressa pelas

    possibilidades das aprendizagens propiciadas aos seus filhos, se o jovem

    considerado estorvo? Que interesses podem ser despertados em adolescentes que

    parecem no receber interesses por si prprios em casa? Como a escola pode

    substituir isto? Que Geografias atravessam essas condies?

    preciso entender a importncia da relao agradvel de parceria com as famlias

    dos educandos, promovendo reflexes sobre a responsabilidade que deve existir

    quanto formao do jovem no lar. Estimular a auto-estima do aluno na famlia e

    desta por si mesma deve ser princpio da ao da escola. A parceria da escola

    com a comunidade ao imprescindvel para que os alunos sejam plenamente

    atendidos em suas demandas.

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    CAPTULO 3

    3. E A ESCOLA SER CADA VEZ MELHOR... NADA DESER COMO TIJOLO QUE FORMA A PAREDE,

    INDIFERENTE, FRIO: NUMA ESCOLA ASSIM VAI SERFCIL ESTUDAR, TRABALHAR, CRESCER, FAZER

    AMIGOS, EDUCAR-SE, SER FELIZ

    A Geografia rene saberes de inmeras reas do conhecimento, por isso viabiliza otrabalho docente em sala de aula, alm de contar com possibilidades de encontrarno cotidiano esse ponto entre o real e o saber a ser ensinado. Todavia, nem sempreessas possibilidades tm sido exploradas.

    Como vimos, na pesquisa, a geografia uma disciplina que gera interesse nosalunos pelo fato de falar de mundo e de trabalhar com o que acontece na vidadeles.. Os alunos reconhecem que a Geografia uma matria que trata tambm davida que eles vivem, nesse momento que entra a necessidade de reflexo doprofessor para explorar essa curiosidade esse encantamento. necessrio sairmosdo discurso tradicional e mergulharmos em novas possibilidades, Geografia no apenas a descrio desse mundo fsico, vai alm, tece oportunidades grandiosas detrabalhar com o real e o que est prximo ao aluno.

    Vamos partir do principio bsico para a construo de uma aula que suscita

    questionamentos, envolvimento, comprometimento dos alunos e professores. Para aprtica do ensino necessrio a reflexo sobre o ensino, caso contrario nochegaremos a lugar algum e essa reflexo envolve o planejamento escolar doprofessor. Acreditamos que, se o professor trabalhar no planejamentoempenhadamente, certamente ela no despender tanto tempo em sala de aulacom a organizao e o desenvolvimento de sua aula, pois despertar o interesse doaluno em participar das aprendizagens.

    E exatamente o que queremos tratar aqui, despertar o interesse desse aluno que,como vimos, est ora interessado, ora desinteressado. Sobre o planejamentoescolar, Libneo (apud STEFANELLO, 2009, p. 60) afirma:

    [...] uma tarefa docente que inclui tanto a previso das atividadesdidticas em termos de organizao e coordenao em face dosobjetivos propostos, quanto a sua reviso e adequao no decorrerdo processo de ensino. O planejamento um momento de pesquisae reflexo intimamente ligado avaliao.

    importante que o professor seja um pesquisador e planejar pesquisar. Oplanejamento uma tarefa difcil, mas no tanto quanto encarar o desinteresse dosalunos em sala de aula que nos reflete mais diversos modos de expresso,

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    indisciplina, falta de responsabilidade, de comprometimento, notas baixas, evasoescolar, repetncia, e tantos outros.

    Outro aspecto muito importante que cabe ao professor conhecer seus alunos, suasparticularidades para que assim possa desenvolver um trabalho efetivo com cada

    um. necessrio envolvimento na prtica docente, esse envolvimento geraidentificao com o professor, a partir do momento que o aluno sabe que podecontar com o professor, que pode conversar, perguntar, propor alternativas... otrabalha docente fica mais fcil.

    Para Ornellas (apud SANTOS, 2011, p. 317) Cabe escola a tarefa de escutar ascrianas e jovens no sentido de reconhecer a singularidade de cada um, buscandoentre autoridade e o afeto um jeito novo de educar. esse afeto que geracumplicidade, interesse do aluno com o professor, pois sentem-se seguros.,

    Somos seres sociais e no podemos negar isto dentro de sala de aula. O

    conhecimento muito mais que aquilo que est no livro. O conhecimento do outro, oconhecimento das relaes podem despertar o interesse no que o outro tm acontribuir.

    Os sentimentos esto a todo o momento determinando nosso modo de agir, e no diferente em sala de aula, por isto necessrio explorar aquilo que pode contribuircom nosso trabalho.

    O pensamento se constitui na relao com o outro e, segundo Lacan(1991, p. 51), [...] o inconsciente estruturado como linguagem. Apartir da aquisio da linguagem pela criana, os conceitos se

    expressam atravs das palavras, que representam associaes deobjetos, eventos ou fenmenos. Pode ser marcado pela linguagem eexpresso pelo registro simblico, o conhecimento pode ser ampliadoe at modificado. (SANTOS, 2011, p. 318)

    Queremos deixar claro aqui, a importncia das relaes, considerando-se que, por

    muito tempo, acreditou-se que, para ser um bom professor era necessrio apenas

    domnio do contedo e domnio de classe.. Os alunos ps-modernos tem

    necessidades diferentes, leituras diferentes de mundo ento necessrio que o

    professor esteja atento a essas necessidades para que desenvolva um bom trabalho

    com estes alunos que, cada vez mais, requerem ateno e envolvimento dodocente.

    Segundo Stefanello (2009, p. 49) A criana organiza e reorganiza o pensamento e a

    afetividade em estgios sucessivos [...] desenvolvidos para a construo do

    conhecimento. Acreditamos que so essas organizaes que tornam o

    conhecimento crescente.

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    O professor no mais considerado o transmissor do conhecimento, ele mediador

    do conhecimento que construdo pelo aluno, porm, essa construo no indica

    que construir o conhecimento tal como foi intermediado pelo professor, suas

    construes so subjetivas e dependem das particularidades do indivduo. O

    professor de Geografia tem o papel de contribuir para a formao de sujeitos que

    reconheam a dimenso social de sua participao na apropriao do espao

    (OLIVEIRA, 2006, p. 11).

    Nas entrevistas, percebeu-se a necessidade que o aluno tem de variar as atividades

    na escola, eles reconhecem que a explicao do professor essencial para o

    aprendizado, entretanto, as formas ldicas e dinmicas contribuem muito para seu

    interesse, bem como, o uso didtico de vdeos, msica, teatro, e vrias outras

    possibilidades que podem ser utilizadas em sala de aula para incrementar o

    conhecimento do aluno e acima de tudo despertar seu interesse.

    O ensino deve ser estratgico, utilizando-se das mais variadas formas de interagir os

    alunos com o contedo para que os mesmos sintam-se importantes dentro do

    espao escolar, e alm de tudo valorizar o conhecimento que ele constri. Essa

    construo torna-se mais fcil e eficiente se estiver atrelada ao que o aluno vive, O

    professor pode tornar o contedo interessante para o aluno criando um elo entre o

    fenmeno (contedo) a ser e a realidade do educando isso torna o aluno

    responsvel tambm pelo que acontece no espao em que vive. (STEFANELLO,

    2009, p. 67)

    Para Stefanello (2009), a escola deve realizar um trabalho de construo de

    autonomia , ou seja, , favorecer o desenvolvimento dos sujeitos que estudam no

    intuito de torna-los independentes na forma de agir , aprendendo a no depender

    de um sistema ou de no se submeter a qualquer fora hegemnica dominadora .

    Caso a escola no realize esta politica, certamente ser mais uma instituio

    contraditria, pois ser silenciada por politicas externas que a colocam como lcus

    de produo de dominados.

    A Geografia deve servir como meio de formao crtica para que o aluno no se

    torne objeto ou sujeito de dominao.: [...] o aluno precisa sentir que pode fazer

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    algo para melhorar o seu cotidiano, o seu pas, o seu planeta. (STEFANELLO,

    2009, p. 67) Ento necessrio cultivarmos na escola essa criticidade para que

    resulte na libertao individual e coletiva (VISENTINI, apud STEFANELLO, 2009,

    p. 61).

    importante explorar todas as possibilidades que a escola oferece para desenvolver

    o interesse pelo aprender: as salas de informtica, salas de vdeo, bibliotecas, ptio,

    laboratrios.

    Valorizar o espao escolar como todo e no apenas as salas de aula, significa tirar o

    aluno de sala de aula e leva-lo ao cotidiano que se estende para alm das paredes e

    muros da escola. Esta prtica, to especial para a aprendizagem de uma Geografia

    que prope a leitura de mundo, pode envolver os jovens no estudo e na aplicao doque estudado.

    Quando o aluno percebe que existem vrias oportunidades nas aulas ele ver e

    efetuar a leitura de mundo desejada com outros olhos: olhos mais abertos pelo

    interesse e mais atentos pelo desejo de aprender.

    Talvez seja esta a falta que provoca outra falta: a falta de interesse. De ambos os

    lados e inexoravelmente atreladas entre si: o professor desinteressado, esmagado

    pela opresso do sistema, e o aluno desinteressado pelas diferentes implicaes

    que discutimos neste trabalho.

    Romper este ciclo necessrio.

    A Geografia nos convida a faz-lo: explorar o territrio escolar junto com os alunos,

    ensinar com e sobre a natureza, fantasiar sobre cultura num ensaio de como vive-las

    por prazer , agir e intervir na produo de espaos, chamar a turma para olhar pela

    janela da sala de aula e dizer de paisagens j vistas, sonhar com paisagens queainda ser possvel ver....

    Roubar o interesse que nasce das falas juvenis e que percorrem redes sociais,

    contando das populaes como nossos grupos, discutindo fatos como laos que

    amarram e desatam nosso dia a dia..., Resgatar de nossos antepassados suas

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    vivncias desconhecidas para forjar outras formas de viver num futuro que tambm

    no conhecemos...

    ... preciso mesmo interessarmo-nos e provocarmos interesse pelo que ensinamos,

    que parece ser tecido mais por coisas muito distantes e que, no entanto, esto mais

    prximas que imaginamos: a vida!

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    OLIVEIRA, I. B. de. Criao Curricular, Auto Formao e Formao Continuadano cotidiano escolar. IN FERRAO, Carlos Eduardo (Org.). Cotidiano escolar,formao de professores(as) e currculo. So Paulo: Cortez, 2005.

    OLIVEIRA, M. M. de. A GEOGRAFIA ESCOLAR: REFLEXES SOBRE OPROCESSO DIDTICO-PEDAGGICO DO ENSINO

    Acesso em: 01/04/2013PATTO, Maria Helena Souza. A produo do fracasso escolar: histr ias desubmisso e rebeldia. So Paulo: Casa do psiclogo, 1999.

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    PONTUSCHKA, N. ; PAGANELLI, T. & CACETE, N. Para ensinar e aprenderGeografia.So Paulo: Cortez, 2007.

    PONTUSCHKA, N.; OLIVEIRA, A.U. (Orgs) Geografia em perspectiva: ensino epesquisa. So Paulo: Contexto, 2002.

    Programa Escola aberta. Disponvel em:. Acesso em 31/03/2013

    Programa Mais Tempo na Escola. Disponvel em:Acesso em 30/03/2013.

    ROBINSON, W. P. O desinteresse escolar no ensino secundrio. Fonte:

    SANTOS, M. da G. G. As representaes sociais de professor e aluno sobreafeto no processo ensino-aprendizagem. IN LEIRO, A. C.R. e SOUZA, E. C.

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    SOUZA, H. R. de. O COTIDIANO NA GEOGRAFIA, A GEOGRAFIA NOCOTIDIANO. Disponvel em: Acesso em:31/03/2013

    STEFANELLO, A. C. Didtica e avaliao da aprendizagem no ensino degeografia. So Paulo: Saraiva, 2009.

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    UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPRITO SANTOCENTRO DE EDUCAO

    DEPARTAMENTO DE EDUCAO, POLTICA E SOCIEDADECURSO DE GEOGRAFIA

    Pesquisadores: Tales Felix e Valquria Monjardim

    QUESTIONARIO PRTICO SOBRE O INTERESSE ESCOLAR PARTICULAR AOENSINO DE GEOGRAFIA

    Gnero: ( ) Masculino ( ) FemininoIdade: ________Local onde mora:____________________

    De que forma voc considera a escola? Um local onde voc vai...( ) passar o tempo;( ) aprender;( ) por obrigao.( ) outra coisa: __________________________________

    O que mais interessa a voc na escola?( ) amizades;( ) aprendizagens;( ) merenda.( ) outro interesse: _______________________________

    Voc trabalha fora de casa?( ) sim;( ) no.

    Suas responsabilidades com o trabalho interferem nas suas atividades escolares?( ) um pouco;

    ( ) muito;

    ( ) normal.

    Voc possui responsabilidades dentro de casa?( ) poucas;

    ( ) algumas

    ( ) muitas.

    Como voc se considera na escola?( ) interessado;( ) desinteressado;

    ( ) s vezes interessado, s vezes desinteressado;( ) mais interessado do que desinteressado;

    ( ) mais desinteressado do que interessado.

    Na sua opinio, a INDISCIPLINA:( ) atrapalha a aula;( ) acontece porque a aula chata;

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    ( ) depende do professor;( ) comum em todas as aulas;( ) coisa de jovens;( ) outra coisa _________________________________________

    Voc gosta das aulas quando:( ) so vagas;( ) aprende de forma divertida ;( ) h explicao que voc entende;

    ( ) os alunos participam;

    ( ) tem atividade/dever;

    ( ) a turma pode fazer o que quiser

    ( ) o assunto interessante;

    ( ) aprende coisas sobre a vida;

    ( ) tem substituto;

    ( ) faz trabalho em grupo;

    ( ) tem filme vdeo;

    ( ) na sala de informtica;( ) no se faz nada;

    ( ) tem aula de campo.

    Voc fica mais interessado na aula...

    ...quando o professor ou professora:( ) tem pacincia

    ( ) legal;( ) bonito (a);

    ( ) divertido(a) nas explicaes;( ) explica

    ( ) bravo(a);

    ( ) alegre.

    ...quando a matria:( ) legal;

    ( ) vai ser prova na prxima aula;

    ( ) est no livro;

    ( ) usada na atividade para nota;

    ( ) outra: _________________________

    A aula chata quando o(a) professor(a):

    ( ) explica;( ) serio(a);( ) brincalho/brincalhona;

    ( ) no tem autoridade;( ) mantm autoridade;

    ( ) d aula na sala;( ) passa dever;

    ( ) trabalha com msica;( ) desanimado(a);

    ( ) Outro motivo: ______________________

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    Voc acha que aprende mais:( ) fazendo dever;

    ( ) ouvindo o professor falar;( ) participando da aula;

    ( ) quando os colegas ficam quietos;( ) fazendo resumo;

    ( ) anotando o que o professor fala;( ) Outra forma:________________________

    O que voc acha das aulas de geografia?( ) interessantes;

    ( ) chatas;

    ( ) diferentes;

    ( ) descontradas/ animadas;

    ( ) comuns;

    ( ) Outra forma:______________________________________________

    As aulas de geografia servem para:( ) nada;

    ( ) entender como funciona a Terra;

    ( ) passar de ano;( ) conhecer os planetas;

    ( ) entender o que se passa no mundo;( ) saber como a vida em diferentes lugares do planeta Terra;

    ( ) saber respeitar o meio ambiente;( ) conhecer as caractersticas dos lugares do Brasil e do Mundo;

    ( ) localizar lugares, pases, rios, montanhas etc.;( ) fazer e entender mapas;

    ( ) Outra coisa:____________________________