Lista de Exercicios Do 2º Bimestre Aluno

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Colégio Militar de Manaus 9º ANO – 2015 Professor: Maj Felipe/Naiva Disciplina: Língua Portuguesa Data: ......../......../........ Aluno(a)................................................................ .............. Nº: ................... TU: ........................ Lista de exercícios do 2º bimestre Leia o texto abaixo e responda aos itens de 01 a 15. TENTAÇÃO Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva. Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos. Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo. Lá vinha ele trotando, à frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.

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Exercícios dos conteúdos de Língua Portuguesa, estudados no 2º bimestre.

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Colgio Militar de Manaus 9 ANO 2015

Professor: Maj Felipe/Naiva

Disciplina: Lngua Portuguesa Data: ......../......../........

Aluno(a).............................................................................. N: ................... TU: ........................

Lista de exerccios do 2 bimestre

Leia o texto abaixo e responda aos itens de 01 a 15.

TENTAO

Ela estava com soluo. E como se no bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabea da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ningum na rua, s uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se no bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluo a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mo. Que fazer de uma menina ruiva com soluo? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntria. Que importava se num dia futuro sua marca ia faz-la erguer insolente uma cabea de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, s duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com ala partida. Segurava-a com um amor conjugal j habituado, apertando-a contra os joelhos.

Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmo em Graja. A possibilidade de comunicao surgiu no ngulo quente da esquina, acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um co. Era um basset lindo e miservel, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo.

L vinha ele trotando, frente de sua dona, arrastando seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.

A menina abriu os olhos pasmada. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua lngua vibrava. Ambos se olhavam.

Entre tantos seres que esto prontos para se tornarem donos de outro ser, l estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, sria. Quanto tempo se passava? Um grande soluo sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Tambm ela passou por cima do soluo e continuou a fit-lo.

Os plos de ambos eram curtos, vermelhos.

Que foi que se disseram? No se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois no havia tempo. Sabe-se tambm que sem falar eles se pediam. Pediam-se com urgncia, com encabulamento, surpreendidos.

No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a soluo para a criana vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos ces maiores, de tantos esgotos secos - l estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes de Graja. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez gravidade com que se pediam. Mas ambos eram comprometidos.

Ela com sua infncia impossvel, o centro da inocncia que s se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.

A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mos, numa mudez que nem pai nem me compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruada sobre a bolsa e os joelhos, at v-la dobrar a outra esquina.

Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma s vez olhou para trs.

Conto extrado de LISPECTOR, Clarice. Felicidade clandestina. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981.

Aps ler o texto, responda:

1. Quem so as personagens principais? O que elas tm em comum?2. O que a menina fazia sentada na porta de casa, s duas horas da tarde?

3. Onde se passa a histria? Retire do texto uma frase que apresenta uma caracterstica marcante do cenrio.

4.De acordo com o texto, como a menina se sentia em relao a outras pessoas?

Retire do texto uma frase para justificar sua resposta.

5. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. O que a menina suportava?Indique a alternativa que melhor responde a questo:

(a) a pessoa que esperava o bonde (b) a bolsa velha (c) o calor e a solido (d) sua me

6. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com ala partida. Do que a bolsa a salvava?

(a) do calor excessivo (b) da solido, j que a bolsa era sua companhia (c) das brigas com a me (d) do homem que esperava o bonde

7) No texto, quem o narrador?

( a ) a me (c) algum que no presente na histria(b ) algum presente na histria, mas sem participar muito (d) a menina ruiva8) Retire do texto um trecho em que se percebe a presena do narrador como personagem.9) O que o narrador fazia naquele lugar ?

10)Pode-se dizer que o narrador se identifica com a menina? Por qu?

11) O co basset provoca uma mudana na cena inicial. Qual a reao da menina e do co quando se veem ?

12) Mas ambos eram comprometidos. Segundo o texto, com o que eles eram comprometidos? O que isso pode significar?

13) Por que o cachorro no olhou para trs?

14) Considerando a reao da menina e do co quando se encontram e a resposta questo 12, o que o ttulo TENTAO pode indicar?

15) Qual o tema central do texto?

16) bom quando a gente volta da escola, no tem nada de bom passando na TV normal, a a gente pega e liga a TV a cabo, que tem sempre alguma coisa boa pra ver. (Srgio Cleto Jr.) Tem um monte de esportes que eu adoro, principalmente futebol e tnis. (Diego Derenzo)Sobre as falas acima, pode-se afirmar que:

A) so exemplos do padro culto da lngua.B) representam o uso da linguagem vulgar, pois refletem a pouca cultura de quem emitiu as mensagens.C) so construes tpicas do portugus falado, ou seja, da linguagem coloquial. D) ferem claramente as normas gramaticais, no desempenhando seu papel comunicativo.E) representam um tipo de linguagem comum em textos literrios e poticos.17) A gria desceu o morro e j ganhou rtulo de linguagem urbana. A gria hoje o segundo idioma do brasileiro. Todas as classes sociais a utilizam. (Karme Rodrigues)Assinale a alternativa em que no se emprega o fenmeno lingustico tratado no texto.

A) Aladarque Cndido dos Santos, enfermeiro, apresentou-se como voluntrio para a misso de paz. No tinha nada a ver com o pato e morreu em terra estrangeira envergando o uniforme brasileiro.B) Uma vez um passageiro me viu na cabine, no se conteve e disse: Como voc se parece com a Carolina Ferraz! C) Chega de nhenhenhm e blablabl, vamos trabalhar.D) H muitos projetos econmicos visando s classes menos favorecidas, mas no final quem dana o pobre.E) Cara, se, tipo assim, seu filho escrever como fala, ele t ferrado.

18) Assinale a alternativa em que no se verifica o uso de linguagem coloquial:

A) Que h? Abra a porta pra mim entrar. (Mrio de Andrade)B) No quero mais o amor, / Nem mais quero cantar a minha terra. / Me perco neste mundo. (Augusto Frederico Schmidt)C) "Quando oiei a terra ardendo / Qu foguera de So Joo (Luiz Gonzaga)D) Qu apanh sordado? / O qu? / Qu apanh? / Pernas e braos na calada.(Oswald de Andrade)E) D-me um cigarro / Diz a gramtica / Do professor e do aluno / E do mulato sabido (Oswald de Andrade) 19) H exemplo de registro coloquial no seguinte trecho:

A) O verdadeiro autor da pea foi o escritor de discursos presidenciais H. Daryl.B) Cem mil pessoas morreram quase instantaneamente.C) A Segunda Guerra acabou, comeava a guerra fria.D) Aconselhado por Jimmy Byrnes (secretrio de Estado), o presidente queria mostrar aos soviticos que no apenas tinha a bomba, mas tinha peito para us-la. E) A bordo do navio Augusta, no retorno para os EUA depois de participar da cpula aliada em Postdam (Alemanha), Truman autorizou o bombardeio.

20) Com relao ao seguinte poema, CORRETO afirmar que:

Neologismo

Beijo pouco, falo menos ainda. / Mas invento palavras / Que traduzem a ternura mais funda / E mais cotidiana. / Inventei, por exemplo, o verbo teadorar. / Intransitivo: / Teadoro, Teodora. (Manuel Bandeira)

a) o verbo teadorar e o substantivo prprio Teodora so palavras cognatas, pois possuem o mesmo radical;b) as classes das palavras que compem a estrutura do vocbulo teadorar so pronome e verbo; c) o verbo teadorar, por se tratar de um neologismo, no possui morfemas;d) a vogal temtica dos verbos beijo, falo, invento e teadoro a mesma, ou seja, o.

21) Distinga que, pronome relativo, de que, conjuno subordinativa integrante:

( a ) pronome relativo: orao adjetiva( b ) conjuno integrante: orao substantiva

( ) Este um mal que no tem cura. ( ) No sabem o que querem. ( ) Confesso que errei. ( ) No justo que o magoes.

22) Ponha R para as oraes restritivas e E para as explicativas.

a ( ) A me, que era surda, estava na sala com ela. b ( ) Ele prprio desculpou a irritao com que lhe falei. c ( ) preciso gozarmos a vida, que breve. d ( ) Esse professor de que falo era um homem magro e triste. e ( ) O vulco, que parecia extinto, voltou a dar sinal de vida. f ( ) A dor que se dissimula di mais.

23) Suponha que o gerente de uma empresa queira informar a seus clientes, por carta, que o estabelecimento enviar pelo correio os carns para pagamento.

Indique a interpretao que o cliente daria informao do diretor, no caso dos seguintes empregos de vrgula:

a) Os clientes, que j so cadastrados, recebero os carns de pagamento pelo correio.

b) Os clientes que j so cadastrados recebero os carns de pagamento pelo correio.

24) Pontue, grife e classifique as oraes subordinadas adjetivas:

a) A primaveraque a estao das florescomea em setembro.

b) A primeira operao da SOS foi a de chamar a ateno para a existncia da Mata Atlntica que estava esquecida.

c)Infeliz o homemque no age honestamente.

d)Conversei com o meninoque pedia esmolas.

e)O professorque educaprecisa ter vocao

f)Gosto muito da cidadeonde nasci.

g)Caetano Velosoque um timo compositor da MPBescreveu um livro.

h)Meu paique havia arrancado trs dentesno pde viajar naquele dia.