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poesia

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  • CAMINHO DE SANTIAGO E

    C u l t u r a Medieval Galaico - Por tuguesa

    AI ostra Bibliogrjica

  • CAMINHO DE SANTIAGO E

    CULTURA MEDIEVAL GALAICO - PORTUGUESA

  • Esttua do Apstolo So Tiago no "parteluz" do "Prtico de la Gloria", Obra imortal do mestre Mateo (sc. X I ) .

  • M I N I S T R I O DA E D U C A O E C U L T U R A

    CAMINHO DE SANTIAGO E

    CULTURA MEDIEVAL GALA ICO-PORTUGUESA

    M o s t r a B i b l i o g r f i c a

    Organizada pelo Cnego Dr. Emilio Silva, sob o patrocnio da Embaixada da Espanha e do Imtituto Brasileiro de Cultura Hispnica.

    \

    B I B L I O T E C A N A C I O N A L

    D I V I S O D E P U B L I C A O E D I V U L G A O RIO DE JANEIRO 1966

  • Exposio realizada em colaborao

    com a Seo de Exposies da Diviso

    de Publicaes e Divulgao da Biblio-

    teca Nacional .

  • APRESENTAO

    A Biblioteca Nacional prossegue, com esta exposio Ca-minho d\e Santiago e Cultura Medieval Galaico-Portugusa, o trabalho de divulgao erudita j responsvel por uma compreen-so popular de setores especializados da cultura. Trata-se de exposio bibliogrfica que, atravs dos ttulos, ergue o levanta-mento de uma das bases de nossa formao lingstica e literria, O Cnego Dr. Emlio Silva, que sugeriu e colaborou, respon-dendo assim pelo xito dia exposio , esclarece em sua introdu-o da significao e da importncia do material que se mostra. E, sombra dsse material, reaparece a identificao de uma cul-tura comum que corresponde a encontro, nas razes, de espa-nhis, portugueses e brasileiros.

    A D O N I A S F I L H O

    Diretor da Biblioteca Nacional

  • O C A M I N H O D E S A N T I A G O

    A ond'ir aquel romeiro, meu romeiro adond'ir? Camino de Compostela , non sei s'ali chegar .

    O s pes leva cheos de sangre, e non pode mais andar . Mal pocado! Pobre vello. non sei s a l i chegar !

    (Romance galego) .

    L a postrera de las tierras hacia donde el sol se pone; a que projeta, como ponta de lana, sbre o oceano ignoto e tenebroso o cabo Finis terrae; a que encima, pelo lado setentrional, o nobre pas lusitano, a regio g a l e g a .

    Galcia, formosa e sempre verde, banhada por dois mares e esmaltada de suaves montanhas, vales frondentes e rios sinuosos que a fazem meiga como sua fala e como o carter dos seus habi-tantes, tem em seu centro geogrf ico uma cidade santa, a tercei-ra dste universal apelativo, que, com Jerusalm e Roma, forma desde a Idade Media o trisgio de lugares de indulgncia e de peregrinao: Sant iago de Compostela, que do santo Apstolo, cujas relquias conserva, recebeu seu nome. N o ano 814, desco-briu-se, em Compostela , o sepulcro do filho de Zebedeu. A no-tcia, autorizada comi declarao oficial do Papa reinante, correu clere pela E u r o p a . De todos os quadrantes da Cristandade, no-bres e plebeus, bispos, monges e sacerdotes, reis e santos acudi-ram a Sant i ago . N a pele da Europa, como vincos de unha em superfcie branda, vo desenhando-se os Caminhos de Santiago. Depoi s do Sacrrio dizia Pio X I I depois de Roma, no h, talvez, lugar ao qual tenha acorrido, no decurso dos sculos, to

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    grande nmero de peregrinos, como capital de Galcia, Santia-go de Compostela, onde repousam as relquias do Apstolo T i a g o o M a i o r .

    s te acontecimento, que ps em comunicao os povos mais distantes e diferentes da Europa, provocou um surto de cultura extraordinrio. A Galcia, que j nos sculos I V e V alcanara nvel intelectual invejvel, recebeu nvo e vigoroso impulso que lhe fz, no dizer de Fidel Fita, M a d r e fecunda de la cultura espanola en la alta E d a d Media , e cuja principal manifestao foi o rpido desenvolvimento e perfeio alcanados pela sua lngua, que se tornou logo maravilhoso instrumento lrico para os poetas de tdas as regies da E spanha .

    Oh tierra de la fabla antigua, hija de Roma, que tiene campesinos arrullos de p a l o m a . . . !

    diria mais tarde o maior romancista da Galcia, D . Ramn dei Val le Incln.

    N o caso, ste o ponto que mais intersse oferece a todos os que falam a lngua portuguesa e a razo, tambm, por que aos elementos do Caminho de Santiago juntamos na Exposio os da Cultura Medieval Galaico-Portugusa. Com efeito, na Galcia e em relao estreita com as peregrinaes jacobias, que nasce e se desenvolve sse instrumento de comunicao, que a lngua galaico-portugusa.

    Afonso X , o Rei Sbio, nasce em Toledo, e em castelhano escreve suas grandes obras, dando quase forma definitiva a essa l ngua. em galego, porm, que escreve seu grande Cancionei-ro, Cantigas de Santa Maria. Como le, por sua vez, o rei Dom Diniz de Portugal e outros muitos poetas de ambas a s margens do rio Minho, que fazem da lrica galega a mais rica de tdas as li-teraturas romnicas medievais.

    A o estudo dessa lrica e dos Cancioneiros consagrar M e -nndez Pelayo algumas de suas pginas mais belas de crtica lite-rria, na Historia de la poesia Castellana, en la Edad Media ( M a -drid, V . Surez, 1911, p. 219-321) , glosando a clebre passagem do Marqus de Santillana, em sua Carta Prohemio al Condes-

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    table de Portugal: E despus fallaron esta arte que mayor se llama e el arte comun, creo, en los reynos de Galcia e Portugal, donde non es el dubdar que el exerccio destas sciencias mas que en ningunas otras regiones e provncias de E s p a n a se acostumbr; en tanto grado, que non ha mucho tiempo qualesquier decidores e trovadores destas partes, agora fuesen Castellanos, andaluces o de la Extremadura todas sus obras componian en lengua gallega e portuguesa.

    A partir do sculo X V I I entra em franco declnio o movi-mento jacobeu para recuperar-se em nossos dias, em que os cami-nhos que levam terceira cidade santa do orbe so novamente freqentados desde as regies mais longnquas do Ocidente .

    Como ste movimento reveste o carter religioso que outrora lhe deu origem, vamos relatar os fatos que dentro do mundo ca-tlico justificam o apelativo de santa outorgado velha capital da Galicia, Sant iago de Composte la .

    T r s so, no mundo, as cidades que ostentam o ttulo de santas : Jerusalm, Roma e Sant i ago . Jerusalm, elegeu-a Jav para que nela estivesse seu nome (2 P a r . V I , 6) . E , embora de eleita se haja convertido em deicida, levando morte de cruz o Filho de Deus, nosso divino Redentor, salvou o apelativo de santa pelo simbolismo que dela tirou S . Joo para representar o cu: E vi a cidade santa, a nova Jerusalm, que descia do cu. do lado de Deus , ataviada como uma esposa que se engalana para seu esposo ( A p . X X I , 2 ) . E S . Paulo, por sua vez, fala-nos da Jerusalmi celeste ( H e b r . X I I , 2 2 ) . Alm disto, para ns os cristos, aqule mesmo lugar onde o judasmo rebelde pediu a morte de seu Rei e onde executou-a, por isto mesmo, j que Cristo ali morreu para nos salvar, lugar santssimo e de eterna venerao, fato que nos explica o fervor das Cruzadas e a s pere-grinaes de todos os tempos queles santos lugares, onde se en-contram o sepulcro de Jesus Cristo e a s pegadas do Sa lvador .

    Roma, a cidade eterna prima inter urbes , foi santifi-cada pela presena e pela pregao dos Apstolos Pedro e Paulo. A Romia dos Csares , C a b e a do orbe, como lhe chamava Tito Lvio ( H i s t . I, 16) , converte-se na Roma dos P a p a s . Se, nos

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    sculos do paganismo, foi seu destino a regncia poltica dos povos Tu regere imprio populos, romane, memento ( V i r . , Aeneis, VI , 852') nos sculos cristos ter ela a regncia es-piritual de todo o mundo. Sede do Sumo Pontificado, ela tambm g u a r d a do tmulo de S . Pedro .

    A terceira cidade santa da trilogia Sant iago de Composte-la, meta espiritual da Europa medieval nascente e guardi do sepulcro e das relquias do Apstolo S . T i a g o o Maior . Ne-nhuma outra nao teve privilgio comparvel ao de H i s p a n i a : o prprio Apstolo que a evangelizou quis que nela repousassem suas relquias, e, o que mais , numerosas vzes no decurso da sua histria quis intervir pessoalmente para ajud-la a defender a f contra inimigos seculares. Razo temos, pois, para chamar santa cidade que o mesmo Apstolo escolheu para seu glorioso tmulo. M a s que, alm disto, o povo fiel, no s da Espanha, seno de tda a Cristandade, ouviu o imperioso aplo da f e da penitncia, e, durante sculos, fz de Sant iago de Compostela o terceiro santurio de peregrinao religiosa do mundo, eixo espi-ritual da catolicidade e alicerce da Europa . ste ano de 1965 particularmente jubilar> de indulgncia e de graa . O Ano Santo tem para todos os cristos um valor de smbolo e de sntese, e o presente de 1965, Sua Eminncia o Cardeal Arcebispo comi-postelano, Quiro ja y Palacios, denominou-o A n o Santo da Uni-dade , mui de acordo com o destacado papel histrico de Faro l de unidade que, atravs de longos sculos, vem desempenhando o Santurio do Apstolo S . T iago , e muito emi consonncia, tambm, com o esprito mais aberto e de convivncia, hoje em dia imperante, entre todos os povos e tda sorte de homens.

    Ve j amos de que modo a Divina Providncia, que orienta e dirige os grandes fatos da histria, preparou os acontecimentos que fizeram de Compostela a terceira cidade santa . S . T i a g o o Maior, luz e padroeiro da s Espanhas , era natural de Betsaida, na provncia de Galileia, irmo mais velho de Joo Evangelista , ami-bos filhos de Zebedeu e de Santa Maria Salom, e por esta, segu-ramente, primos de Jesus Cristo. O s dois irmos eram pescado-res, como pescador era seu pai Zebedeu, que vivia margem do mar de Galileia e devia de ser pescador rico, pois tinha embar-

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    cao prpria e fmulos . Af irma S . Jernimo que les eram nobres.

    Jesus fz dles, com Pedro, a trade dos seus prediletos entre todos os discpulos. S a les distinguiu com sobrenomes espe-ciais, dando a Simo o sobrenome de